Subo por mim acima como uma escada de corda, e a minha ânsia é um trapézio escangalhado!

6 de Fevereiro de 2010

Tanto que te quero

(Sabes que é para ti...)

Quero-te assim... de todas as maneiras... de todas as formas e feitios. Quero-te mesmo como tu és e como serás... se algum o serás.... E como me tocas e como me beijas... e como entras dentro de mim fogaz nesse silêncio impetuoso... que me reanima, que me ressuscita, que me faz sentir viva. E a inércia de não poder reagir a mais nada. Se naquele momento só tu existes. Completas-me. Rasgas-me a carne, entras em mim e eu sou tua.... e tu és meu.


Juro que te quero desta e daquela maneira, daquela forma ou feitio. E gravo que te quero em cada beijo que te dou.

14 de Setembro de 2009

Devaneios

Sabes o que é querer escrever e não ter uma caneta? Sabes o que é querer chorar e não ter uma folha de papel? Precisar de um abraço e não ter braços que afaguem a dor... precisar de gritar e não poder fazer barulho...e mesmo se gritar , saber que não esta la ninguem para ouvir...
Não sabes, nem nunca saberas... ou se por ventura souberes, nao iras entender. Se nesta vida quiseres entender tudo, arranjar explicaçoes cientificas, rotular, estereotipar, diagnosticar... sabes bem, ficarás no mesmo vazio. No vazio de nao compreender certas coisas que nao têm explicaçao, nem razao de ser. Se existe a liberdade, toda a liberdade é condicionada por alguem ou por alguma coisa. És livre para questionar, mas ficas presa à pergunta não à resposta. De que vale entao admirar a liberdade que te envolta, se nao a podes agarrar? Sabes disto tão bem quanto eu, ou como qualquer um de nós. Mas de formas diferentes.

Os pensamentos voam, as horas passam mas o tempo permanece igual. Um desejo de viver que te embala com uma fome de fugir que te esfaqueia.
Sabes? Sabes mas nao entendes, ou nao sabes e nem sequer queres entender. Admiro-te por assim o seres. Eu não o sou. Posso ser diferente. Posso ser o que tu quiseres. Mas eu sei o que é falar, gritar , vomitar verbos e adjectivos, e não conseguir soltar as palavras certas que vivem enclausuradas dentro de mim.

31 de Maio de 2009

Soneto da separação - Vinicius de Moraes

"De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente."

15 de Maio de 2009


A vida é como um sonho; é o acordar que nos mata.
Virginia Wolf

17 de Fevereiro de 2009




Eu quero ser possuída por você, pelo seu corpo, pela sua protecção, pelo seu sangue.

Me ama! Eu quero que você me ame e fique eternamente me amando dentro de mim. Com sua carne e o seu amor. Eternamente, infinitamente dentro de mim, me envolvendo, me decifrando, me consumindo, me revelando...Como uma tarde dentro do elevador, no verão, voltando da praia, e você me abraçou e eu te abracei...E quanto mais eu me entregava, mais nascia o meu desejo. Mais sobrava só o desejo, e mais eu te queria sem palavras, sem pensamentos... A vida inteira resumida só no desejo da tua boca dizendo o meu nome. Da tua mão conduzindo a minha mão. Do teu corpo revelando o meu corpo. Como se o mundo fosse pela primeira vez...você o meu ponto de referência nessa cidade...



José Vicente

14 de Janeiro de 2009

Uma alma vazia... que desistiu de sonhar...


Vivia o presente como mais niguém vivia. Virou as costas para o passado como se nunca tivesse existido, e o futuro longíquo permanecia num mistério impossivel de desvendar. Desprovida de sonhos e fantasias, o terreno e o palpável parecia-lhe o mais cómodo, o mais sensato. Ao contrário de todos os outros, não era a felicidade que procurava, mas apenas o prazer...ou momentos de prazer.
Nunca conheci ninguém como ela. Ninguém que ficasse horas à espera de ver o sol nascer e o horizonte a ganhar cor. Que saísse sempre de casa depois da chuva, apenas para sentir o cheiro da terra molhada. Todos os obstáculos que surgiam no seu caminho transformavam-se em simples desafios que contornava com destreza e naturalidade. Dizia que todos esses obstáculos eram resultado do que nós mesmos haviamos criado no percurso da vida e que por isso deveríamos enfrentá-los.
Despiu-se de culpas, de medos, de rancores, desfrutava de cada dia como único na sua vida. Se o ontem não importou, o amanhã menos importará. “É hoje que estou viva!”, dizia ela.
Não pensava no porquê, nem no como das coisas. Elas simplesmente existiam. Não questionava as emoções, nem os sentimentos. Ao questioná-los, fugiria da sua intensidade.
Dizia que a sua alma era reciclada todos os dias. Que cada dia a sua mente fechava uma porta a sete chaves. E o seu corpo gasto, a sua pele suja permitiam-na sentir, tocar, acariciar a realidade externa. Era apenas na realidade externa que ela acreditava. Naquilo que os seus olhos viam e no que o seu corpo experienciava.
Não sonhava. Não imaginava como poderia ser o amanhã. Tudo o que era misterioso perturbava-a... e fugia. Desprezava o inexplicável.
No dia em que o seu corpo foi enterrado, foi um alívio. Ninguém até hoje soube explicar a sua morte. Parece que um vírus estranho apoderou-se do seu corpo, que o deixou doente. Efémera, o seu corpo deteriorava-se cada vez mais, dia após dia. Nunca lhe souberam explicaram o porquê, o como. Desistiu de questionar. Desistiu de sonhar. Desistiu de viver. O amanhã não importava, porque não sabia se havia o amanhã. Apenas queria fotografar com o olhar as imagens daquele mundo, que para ela deixaria de existir.
Quero apaixonar-me pela vida, e sentir o cheiro das horas.
Abraçar cada momento, como se o momento fosse único, e no instante seguinte pudesse perdê-lo. Afogar-me nas àguas tempestuosas do desejo e acordar no colo da tentação.
Quero ouvir as vozes do vento e seguir os seus conselhos.
Numa viagem infinita, agarrar as imagens que passam e que ficam, e colocá-las num livro de recordações.
Quero apaixonar-me estupidamente pela vida, pelos homens, pelas mulheres, pelas árvores, pelo mar, pelo sol, pela lua. Por tudo o que é fruto da vida.
E cantar aquelas palavras que há tanto, se encontram aprisionadas dentro de mim.

29 de Dezembro de 2008

Análise

Passei toda a minha vida a tentar compreender o comportamento humano, a tentar encontrar respostas e verdades absolutas. Estudei a psicologia fixando-me em modelos empíricos para encontrar uma explicação para os multiplos funcionamentos da psique. Perdi-me na obsessão de auto-análise, e na análise de todos os que me rodeiam. Principalmente das pessoas de quem gosto. O que eu queria era realmente poder arranjar uma justificação para os defeitos dos outros e para os meus próprios defeitos. Como se a justificação pudesse ser uma compensação e um alívio para a angústia de nunca atingir a perfeição. No fundo, o que eu fiz (ou faço) muitos outros fazem. O altruísmo para com os outros, a necessidade de querer ajudar o outro a ultrapassar os seus problemas, é um escape para os nossos próprios problemas. Esquecer a nossa vida própria com o intuito de viver a vida do outro. Porque para compreender o outro, é fecharmos os olhos para a nossa vida e ver as coisas como o outro vê, sentir as coisas como o outro sente. Funcionamos como uma esponja que absorve toda a angústia e dor do outro. Mas sem sequer nos apercebermos, a nossa própria angústia e dor continua presente... mas disfarçada.
Tantos de nós que funcionamos assim, e não fazemos a menor ideia. Utilizamos mecanismos de defesa de forma inconsciente, como estratégias mentais de auto protecção. Na procura da consciência do outro, perde-se a consciência de si. E todos os aspectos negativos mascaram-se de forma a atenuar a dor de viver com eles.

22 de Dezembro de 2008

Já me fiz tantas perguntas, mas raras são as vezes que tento procurar uma resposta. Uma resposta poderá mudar tanta coisa... e eu quero mudar, ou tenho medo de mudar? O processo de mudança é tão doloroso... o medo de perder a identidade é grande... mas permanecer na inquietação de não ir ao encontro da resposta é de alguma forma sádico...ou defensivo...

Tentei enganar-me saciando a minha sede com um copo de vinho. A verdade é que bebi a garrafa inteira num só trago, e continuei sequiosa. Senti umvazio dentro de mim. Estranhamente, nunca me tinha sentido assim. Com uma sede inigualável. A minha boca seca, ressequida não conseguia soltar nem uma palavra. O som da minha voz ficou entalado na minha garganta, desejando àrduamente sair de dentro de mim e ecoar pela sala fora. Mas não saia.. nem uma palavra, nem um gemido. Nada. Foi então, que me apercebi da angústia de querer gritar e não poder soltar um simples som. De ter mil e uma palavras para dizer, para gritar e não conseguir ouvir-me. Os meus lábios não se mexiam, inertes. E naquele momento havia tanta coisa para contar às paredes, coisas que surgiam na minha mente, pensamentos, ideias, alucinações... “Sede... tenho sede!” . Precisava de soltar todas estas palavras que insistiam em ganhar vida!
Estava só. Totalmente só. E não me ouvia. Ninguém me ouvia. Entrei no desespero.
Horas depois, quando já tinha perdido toda a minha esperança, os meus lábios descolaram e surgiu um som meio rouco vindo de dentro de mim... no meu espanto e alegria, vomitei inúmeras palavras sem sentido, desconectadas e desconcertadas. A minha voz recompôs-se, e gritei, gritei, gritei!!! Gritei bem alto todos aqueles pensamentos, todas aquelas ideias, medos, paixões, angústias, emoções!
Por momentos, senti-me aliviada por descarregar todo o que estava dentro de mim para as paredes. Mas... de repente... senti de novo o vazio... e foi então, que me apercebi que eram apenas paredes. Que ninguém me ouviu. E com a ânsia de falar...esqueci-me mais uma vez de ouvir-Me.

24 de Novembro de 2008

Quantas pessoas não conseguem, já não conseguem pronunciar as palavras fatídicas: "Amo-te", "Desejo-te"? Quantas pessoas hesitam chamar pelo nome certas sensações porque a sua evocação remexe demasiadas emoções, faz recordar um passado que perturba, e que deseja "arquivar" de uma vez por todas? No passado, em qualquer lado, desenvolveu-se uma emoção que já não consegue circular e que provoca, em cada situação que representa uma ameaça de ressurgência, um medo que vai da simples apreensão ao pânico na maioria das vezes irracional.
Louise Poissant

Serei Normal?? (whatever that means...)


O significado da "normalidade" está cada vez mais difuso, e cada vez mais distante. Supostamente, o que é normal será o que é bem aceite pelos olhos da sociedade. Mas, de facto, o que é bem aceite hoje, não o foi ontem. As mentalidades e os sistemas de valores estão constantemente a ser modificados, consoante a época. Antes dos anos 80, a homossexualidade era vista como um distúrbio psicológico, incluído no DSM (manual de diagnóstico de saúde mental). Hoje em dia, a homossexualidade é vista como uma orientação sexual, fruto de disposições sociais, biológicas ou psicológicas. Já é aceite socialmente, já se fala nos casamento entre homossexuais e na adopção de crianças em casais homossexuais. Contudo, ainda é necessário um re-educação da sociedade, de forma a olhar para os homossexuais como iguais, e não como diferentes. Com a evolução dos tempos, a sociedade irá adaptar-se positivamente em relação a questões que hoje em dia causam alguma polémica. É tudo uma questão de tempo.


Assim acontece, com a barreira entre o normal e o patogénico. São encontradas cada vez mais patologias sociais, e o que é supostamente "normal" enfrenta ameaças. Assim, o medo de enlouquecer, a procura frenética por uma postura classificada como "normal", faz parte do nosso quotidiano. Inconscientemente, essa imagem do normal é-nos incutida diariamente, assim como a imagem do corpo perfeito (culto do corpo), também se desenvolve o culto da mente.


Esse medo, receio de se depararem com a loucura, poderá perder o controle sem que as pessoas dêem por isso. Transforma o aparentemente normal, numa neurose obsessiva. O pior é que as pessoas rejeitam essa ideia, a ideia de que poderão ser neuróticos. Então, inconscientemente projectam essa sua parte louca para as pessoas mais próximas de si. "Isto não é normal... tu és completamente louca!" - É bem mais fácil, bem mais cómodo, rotular os outros de loucos, do que reconhecer a nossa própria loucura.
Todos somos neuróticos. E isso é normal.

28 de Outubro de 2008

Procura-se um amigo




Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.
Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoa tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.
Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.
Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.

(Vinicius de Moraes)
Toda a minha vida persegui os meus sonhos. Alimentei-me do imaginário procurando saciar a fome do desejo
imensurável de viver. Dediquei-me na criação de alucinações para explorar os recantos mais obscuros da
minha mente. Atravessei todos os meus pensamentos na busca de uma realidade unica.
Conheci-me de todas as formas (Ou de todas as formas que penso conhecer!). Meus sonhos e fantasias
desvaneceram-se num tornado de pensamentos e ideais. A minha alma empobreceu. Toda a magia se perdeu,
nada mais resta senão a poeira que respiro do passado. O meu corpo cansado e inerte implora por novos
sonhos... novas alucinações.

27 de Outubro de 2008

Fauzi Arap (lindo na voz de Maria Bethânia)

Eu vou te contar que você não me conhece...
E eu tenho que gritar isso, porque você está surdo e não me ouve!
A sedução me escraviza a você.
Ao fim de tudo você permanece comigo, mas preso ao que eu criei...E não a mim.
E quanto mais falo sobre a verdade inteira, um abismo maior nos separa.
Você não tem um nome. Eu tenho.
Você é um rosto na multidão e eu sou o centro das atenções.
Mas a mentira da aparência do que eu sou é a mentira da aparência que você é.
Porque eu não sou o meu nome e você não é ninguém.
O jogo perigoso que pratico aqui, ele busca chegar ao limite possível de aproximação, através da aceitação, da distância e do reconhecimento dela.
Entre eu e você existe a notícia que nos separa.
E eu quero que me veja a mim.
Eu me dispo da notícia.
E a minha nudez parada te denuncia e te espelha.
Eu me delato.
Tu me relatas.
Eu nos acuso.
E confesso por nós.
Assim, me livro das palavras...Com as quais você me veste.

A fantasia é a satisfação alucinatória do desejo.

Unicidade

Vem...vem comigo
E deita-te na minha cama
Com a tua cabeça no meu pranto
E afaga tua dor
Neste meu pequeno recanto.
Vem...vem que eu quero conhecer-te
E quero que te conheças
Ouvindo a tua voz,através da minha voz,
Observando o teu olhar,através do meu olhar
E quero... que te sintas com o meu doce afagar.
Vem... e encosta a tua boca
Na minha pele suave e nua
E sente por uns instantes
Que a dor, não é só tua.

5 de Outubro de 2008

Não há melhor sensação que rir e chorar simultaneamente. Sentimo-nos vivos com a intensidade da emoção.

Quebrem as correntes do pensamento e conseguirão quebrar as correntes do corpo.


(Richard Bach)

3 de Outubro de 2008

Estava deprimido e com vontade de me suicidar, e tê-lo-ia feito se o meu psicanalista não me tivesse obrigado a pagar as consultas adiantado...


(O Grande Woody Allen)

Um encontro de dois: olhos nos olhos, face a face. E quando estiveres perto, arracar-te-ei os olhos e colocá-los-ei no lugar dos meus. E arrancarei meus olhos para colocá-los no lugar dos teus... Então ver-te-ei com os teus olhos e tu ver-me-ás com os meus.
(J.L. Moreno - fundador do Psicodrama)

Why do I feel this way?


Jurei a mim mesma que não voltaria a acontecer. Mas, aconteceu. Há coisas que não mudam. Há coisas que sao inevitáveis, incontroláveis. Podemos mudar os nossos comportamentos, as nossas atitudes, a nossa maneira de estar e de pensar. Mas se há algo que não podemos contornar, sao os sentimentos. O ser humano é frágil e não tem controlo sobre a vida. Num instante podemos estar em harmonia com a nossa mente, como a seguir estamos em conflito interno. Esta instabilidade e invariebilidade é fruto de todo este meio circundante, que nos impede de sermos como queremos ser para sermos como devemos ser. Regras. Restrições. Imposições. Será suposto não desfrutar do que sentimos? Será suposto não mostrar o que sentimos? Viver enclausurados, no domínio do que posso ou não fazer? Do que posso ou não dizer? Viver assim, não é viver... é sobreviver em falsas aparências. Não devemos sentir culpa, nem pudor dos nossos sentimentos. Amor, ódio, alegria, tristeza, prazer... existem. E o homem só atinge a sua maturidade quando reconhece tais sentimentos, sabe viver com eles e aprende a partilhá-los. Racionalizar os sentimentos.

30 de Setembro de 2008

Os cães amam os seus amigos e mordem os seus inimigos. Bem diferente das pessoas, que são incapazes de sentir amor puro e têm de misturar amor e ódio nas suas relações. (Sigmund Freud)

You are Not Me!


Desde pequenos que aprendemos que não devemos invejar, nem cobiçar os pertences dos outros. Um dos sete pecados mortais: a cobiça. Mas, até que ponto é que a inveja ou a cobiça podem ser controlados? A inveja já é um termo cultural, fruto das relações sociais. Será que já sentimos a inveja alguma vez na vida? E será que já nos sentimos objecto de inveja de alguém? As ciganas que lêem a mão, os bruxos que lêem as cartas, todos sabem porque a vida nos corre mal: é a inveja! Maldita inveja, olho gordo (como dizem os brasileiros), macumba...
Mas... o que é a inveja, afinal? A inveja é um sentimento vivido numa relação a dois, fruto de uma incompletude narcisica. Um sentimento de falta na comparação com o outro e condiciona o desejo de possuir os atributos desse outro. O sentimento de inveja opera pela vida fora, quando o objecto da relação torna-se demasiado importante para a segurança e a sua idealização se avoluma, a estrutura narcisica da pessoa fica fragilizada. Assim, se o objecto de ciume, demonstra ou exibe aos olhos da pessoa as suas qualidades de superior a inveja duplica-se de um sentimento de ressentimento, e ao desejo de apoderar-se dos atributos do outro acrescenta-se o desejo de o destruir. A pessoa narcisa-se através do alimento das caracteristicas e das qualidades do objecto de inveja, tentando assumir uma identificação, neste caso introjectiva.
As pessoas que têm inveja, são pessoas que não foram narcisadas na infância pelos pais, e têm portanto, um défice de auto-estima. Numa relação dual muito próxima, o que acontece é que a pessoa idealiza o outro, e desenvolve desejo de poder e inversão de papeis.
Realmente as “vitimas de inveja” podem sair prejudicadas visto que estão a servir de alimento narcisico, mas ao contrário do que se acredita, obviamente que isso não condiciona determinados factores da sua vida. Se, por ventura, acharem que são extremamente invejados por um amigo, não vão um bruxo... encaminham o amigo para um terapêuta.