
O significado da "normalidade" está cada vez mais difuso, e cada vez mais distante. Supostamente, o que é normal será o que é bem aceite pelos olhos da sociedade. Mas, de facto, o que é bem aceite hoje, não o foi ontem. As mentalidades e os sistemas de valores estão constantemente a ser modificados, consoante a época. Antes dos anos 80, a homossexualidade era vista como um distúrbio psicológico, incluído no DSM (manual de diagnóstico de saúde mental). Hoje em dia, a homossexualidade é vista como uma orientação sexual, fruto de disposições sociais, biológicas ou psicológicas. Já é aceite socialmente, já se fala nos casamento entre homossexuais e na adopção de crianças em casais homossexuais. Contudo, ainda é necessário um re-educação da sociedade, de forma a olhar para os homossexuais como iguais, e não como diferentes. Com a evolução dos tempos, a sociedade irá adaptar-se positivamente em relação a questões que hoje em dia causam alguma polémica. É tudo uma questão de tempo.
Assim acontece, com a barreira entre o normal e o patogénico. São encontradas cada vez mais patologias sociais, e o que é supostamente "normal" enfrenta ameaças. Assim, o medo de enlouquecer, a procura frenética por uma postura classificada como "normal", faz parte do nosso quotidiano. Inconscientemente, essa imagem do normal é-nos incutida diariamente, assim como a imagem do corpo perfeito (culto do corpo), também se desenvolve o culto da mente.
Esse medo, receio de se depararem com a loucura, poderá perder o controle sem que as pessoas dêem por isso. Transforma o aparentemente normal, numa neurose obsessiva. O pior é que as pessoas rejeitam essa ideia, a ideia de que poderão ser neuróticos. Então, inconscientemente projectam essa sua parte louca para as pessoas mais próximas de si. "Isto não é normal... tu és completamente louca!" - É bem mais fácil, bem mais cómodo, rotular os outros de loucos, do que reconhecer a nossa própria loucura.
Todos somos neuróticos. E isso é normal.